Entenda tudo sobre as carnes produzidas em impressão 3D

Lançada recentemente por startups israelenses, novidade do mercado alimentício traz promessa de grandes benefícios ao meio ambiente, ao lado de diversos questionamentos.

O ano de 2021 começou com grandes acontecimentos ao redor do mundo. Para além dos avanços da vacinação contra a COVID e da invasão do Capitólio (Congresso dos Estados Unidos), uma notícia que movimentou diversos setores do mercado e da sociedade foi o surgimento das primeiras versões de cortes de carnes produzidos por impressão 3D.


As startups israelenses Aleph Farms e Redefine Meat, e a espanhola Novameat, divulgaram ao público suas primeiras versões das “carnes 3D”, e explicaram todo o processo realizado para que seus cientistas e engenheiros alimentares pudessem, pela primeira vez, atingir o resultado desejado.


Como funciona? Entenda o processo de impressão 3D para carnes.

Com grandes avanços na área das tecnologias de engenharia alimentar, a humanidade está conseguindo ‘’desenhar’’ cortes de carnes que, cada vez mais, estão satisfazendo as pesquisas, chegando ao sabor e aparência necessárias para que seu consumo seja apreciado.


As empresas sintetizaram as carnes a partir de células e/ou tecidos animais baseados em recursos vegetais (plant-based), como arroz, ervilhas, algas marinhas e outras substâncias como lipídeos, fibras, minerais e vitaminas. As substâncias são transformadas em uma pasta, que é levada à impressora 3D.


O processo de impressão 3D para carnes não é nada simples. As equipes de pesquisa envolvidas dedicaram anos de estudo para que fosse possível desenvolver uma técnica que imitasse a textura, aparência e propriedades nutricionais e sensoriais de bifes, peitos de frango e filés de peixe. Assim, as carnes em 3D deixam de ter apenas uma função nutricional, para também ter funções culinárias e uma experiência sensorial.


Os principais benefícios das carnes impressas em 3D


A partir desses métodos é possível produzir até 20kg de carne por hora, com custos mais baixos que os mesmos cortes de origem animal, tanto para o consumidor como para aquele que está criando as ‘’carnes’’.


E os benefícios não são apenas econômicos. Na realidade, o grande benefício que está por vir com o surgimento desses novos alimentos é a diminuição da emissão de gás que prejudica a camada de ozônio causada pelos bovinos, e também a diminuição do desmatamento causado pelo pastoreio.


Existem também grandes benefícios nutricionais, uma vez que carnes embutidas, como salsicha, salame, chouriço e linguiça, apresentam diversos ingredientes nocivos à saúde que tendem a impactar a sociedade numa escala bem menor caso as alternativas 3D venham a ter êxito no mercado. E os procedimentos de conservação de carnes sensíveis como peixes e frutos do mar também serão bem mais seguros, diminuindo o risco de eventuais contaminações.


Porém mesmo com esses benefícios há alguns questionamentos circulando na cabeça das pessoas, em relação a essa inovação.


Alguns questionamentos: até que ponto é positivo?


O primeiro questionamento é a respeito das empresas que usam células e tecidos de animais em suas receitas.


A Aleph Farms explicou que as células e tecidos animais extraídos e sintetizados pelos cientistas podem ser utilizados por mais de 30 anos com a mesma sequência, sem que haja uma nova extração. Sendo assim, o produto tem interferência de origem animal em sua preparação, mas é importante avaliar o impacto positivo ao meio-ambiente e também o sofrimento causado aos animais envolvidos no processo.


Outro questionamento em relação a essa inovação fica a respeito dos atributos da engenharia alimentar relacionados a pigmentação, conservação, textura e sabor dos alimentos.


Sabemos que existem diversos corantes, aditivos e conservantes, sendo que estes são ingredientes bastante industrializados, artificiais e, dependendo de sua qualidade, podem causar diversos males à saúde.


Porém a humanidade está cada vez mais utilizando destes artifícios, seja nas redes de fast-food como na preparação de barras de cereais ou refeições ‘’fit’’. Tudo depende da qualidade dos ingredientes que forem utilizados, e para isso existem diversos órgãos de fiscalização alimentar e vigilância sanitária como ANVISA (Brasil) e FDA (Estados Unidos), para controlar o uso de tais ingredientes.


E, por último, muitas pessoas questionaram a respeito do modelo de negócio das empresas que estão por trás dessa inovação. Será que o mercado das carnes 3D vai seguir o mesmo caminho do mercado de carnes animais, solidificando assim outro grande monopólio comercial no mercado alimentar?


Já é um grande passo para a preservação ambiental o surgimento dessa tecnologia, porém, de acordo com as premissas básicas do desenvolvimento sustentável, uma inovação, mesmo tendo uma função ecológica, não é obrigatoriamente sustentável. Se suas consequências tiverem um impacto social negativo, essa inovação não pode ser definida como uma iniciativa sustentável.


Nós, da AIK Body & Soul, acreditamos que as mudanças são feitas a partir da revisão de hábitos de consumo, que a longo prazo e em conjunto com a sociedade, podem refletir em grandes benefícios - seja eles econômicos, sociais ou ambientais.


Sendo assim, soluções como a ‘’Carne 3D’’ podem fazer com que diversas pessoas diminuam seu consumo de alimentos de origem animal, contribuindo para solucionar diversos problemas ambientais, e diminuindo eventuais riscos à saúde da sociedade.


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