Seis obras para compreender o racismo estrutural

Precisamos nos conscientizar! Selecionamos obras de fácil acesso para quem quer aprender mais sobre o racismo na sociedade

O grande movimento antirracista que tomou o mundo após a morte cidadão americano George Floyd - assassinado por um policial no último dia 25 de maio em Minneapolis, Estados Unidos - trouxe à tona profundas discussões sobre as estruturas do racismo na contemporaneidade e a marginalização das comunidades afrodescendentes.


Mesmo com o ativismo e enorme esforço das lideranças na luta contra o racismo, xenofobia e diversas outras formas de discriminação, os mecanismos de segregação continuam intrínsecos nas dinâmicas sociais e econômicas da sociedade.


As duras estatísticas comprovam as enormes desigualdades: número de mortes, taxa de desemprego, baixa escolaridade, doenças e enfermidades - todos preenchidos majoritariamente por indivíduos negros e pardos. Não bastassem as estatísticas, percebemos claramente o racismo presente no nosso cotidiano, seja nas pequenas atitudes individuais, ou ainda na crescente retomada de movimentos racistas e xenófobos em diversos países do mundo.


Nós, da AIK Body & Soul, acreditamos que apenas através de uma profunda conscientização a respeito da realidade das questões estruturais do racismo no mundo, poderemos nos tornar minimamente capazes de resolver de fato esta enorme desigualdade.


Para isso, selecionamos algumas dicas de obras, entre livros, filmes e séries, que poderão auxiliar a todos numa maior compreensão da questão estrutural do racismo no mundo. Todas as obras selecionadas estão disponíveis na Internet.


1. Quarto de despejo – Livro de Carolina Maria de Jesus (1960)


Quarto de Despejo é o diário pessoal da catadora de papel Carolina Maria de Jesus, que deu origem ao livro. A linguagem testemunhal simples, porém contundente, comove o leitor pelo realismo do cotidiano na favela do Canindé, em São Paulo.


O retrato marcante da explosão urbana que tomou os anos 60 mostra explicitamente o contraste da população marginalizada. O motor do livro é a indignação da autora, que sonha com mudanças políticas na esperança de uma melhora coletiva.


2. Doze anos de escravidão – Livro de Solomon Northup (1855)


Considerada a melhor narrativa já escrita sobre um dos períodos mais nebulosos da história americana, Doze anos de escravidão narra a história real de Solomon Northup, um negro norte-americano livre que, atraído por uma proposta de emprego, abandona a segurança do Norte e acaba sendo sequestrado e vendido como escravo. Depois de liberto, Northup publicou o relato contundente de suas memórias, que se tornou um best-seller.


Hoje, mais 165 anos após a primeira edição, o livro é de domínio público e pode ser facilmente encontrado na íntegra ou no formato de audiobook. E um longa-metragem dirigido por Steve McQueen foi lançado em 2013. Segundo crítica do The New York Times - “O primeiro filme que torna impossível continuar vendendo mentiras e mistificações sobre a escravidão”.


3. Pequeno Manual Antirracista – Livro de Djamila Ribeiro (2019)


Djamila Ribeiro é uma mulher negra brasileira que ficou conhecida principalmente pela publicação de dois livros: Quem tem medo do feminismo negro e Pequeno manual antirracista. Ativista digital, Djamila assina uma coluna na Folha de São Paulo.


No Pequeno manual antirracista, Djamila escreve de forma simplificada onze lições para entender as origens do racismo e como combatê-lo. Trata de temas atuais que envolvem o racismo, a negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. São reflexões sobre discriminações racistas estruturais, sobre o argumento que a prática antirracista é urgente e se dá nas atitudes mais cotidianas.


4. Olhos que condenam – Minissérie de Ava DuVernay (2019)


Olhos que condenam é uma minissérie da Netflix, ligada às questões da população negra norte-americana. A diretora entrega uma ficção documental sobre a injusta condenação de cinco jovens negros por um estupro ocorrido em abril de 1989, no Central Park, em Nova York. A série foi assistida por 23 milhões de pessoas, e recebeu 16 indicações ao Emmy Awards.


A cineasta justificou a sua intenção com a produção: “O objetivo era criar algo que doesse o estômago, sem ser comida porcaria. Era criar um catalisador para uma conversa. Quero dizer que nesses mesmos regimes racistas de submissão e violência, historicamente, reprimiram pessoas negras por olhar”.


5. Hurricane – Filme de Norman Jewison (1999)


The Hurricane, traduzido no Brasil como O Furacão, é um filme biográfico dirigido por Norman Jewison e protagonizado por Denzel Washington. O roteiro é uma adaptação de dois livros, que contam a história de um ex-campeão dos pesos médios do boxe, que foi condenado por um triplo homicídio em um bar em New Jersey.


O filme ainda retrata a vida de Rubin “Hurricane” Carter na prisão, e como ele foi libertado pelo amor e pela compaixão de um adolescente do Brooklyn e sua família adotiva canadense, depois do personagem de Denzel escrever memórias que vieram a público, intitulada "The 16th round".

6. Chocolate – Filme de Roschdy Zem (2016)


Chocolate é um filme francês dirigido por Roschdy Zem, que conta a extraordinária história de um ex-escravo que tornou-se o primeiro artista de circo negro na França, com grande sucesso no final do século 19.


Chocolate não poderia deixar de falar sobre preconceito. O racismo teve um forte peso na vida pessoal e artística do protagonista Rafael Padilla. Seu colega, Footit (que ganha o dobro do que o colega negro por show realizado) busca a parceria porque acredita no ineditismo do personagem, mas percebe que os dois só farão sucesso se Chocolate for humilhado em frente à plateia rica e branca.

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