Você já conhece a Arte Ambiental?

Um tipo de arte que questiona a ação humana no meio e a maneira como obtemos recursos para a manutenção da vida material

Uma pandemia parou o mundo e forçou o mundo a rever os hábitos de consumo e a maneira como impactamos o planeta. E um tipo de arte que surgiu nos anos 1970 se provou muito atual.

Você já ouviu falar de Arte Ambiental?

Um tipo de arte que se torna veículo para questionar a ação humana no meio e a maneira que obtemos recursos energéticos para a manutenção da vida material. Ou seja, a arte ambiental é voltada para o espaço. Seja ele uma galeria, um ambiente natural ou áreas urbanas, ele é incorporado à obra e torna o observador parte dela.

A noção de arte ambiente entrou no vocabulário da crítica nos anos 1970 para falar de obras e movimentos variados.

Por meio de diferentes linguagens - como a dança, música, pintura, teatro, escultura, literatura - em instalações, performances, land art, etc, as obras da arte ambiental questionam o caráter das representações artísticas e a própria definição do que é arte.

O minimalismo é referência fundamental para a compreensão do movimento da arte direcionada ao ambiente, na medida em que o objeto de arte se realiza integralmente do ponto de vista e experiência do observador.

De maneira resumida, para que o observador compreenda a obra, é preciso percorrê-la.

Labirinto (1974), de Robert Morris
Stone Field Sculpure (1977), de Carl Andre.

Em “Stone Field Sculpture”, Carl Andre dispõe 36 pedras nativas de Connecticut, EUA, em oito linhas paralelas em um terreno triangular. A configuração das pedras ecoa o ritmo das lápides do antigo cemitério vizinho.⁣


⁣Embora tocar a arte geralmente é algo nunca indicado a se fazer, esta escultura pretende ser "amigável e útil para as pessoas", como afirmou o artista em uma entrevista de 1997 para o Hartford Courant. Para um passeio virtual pela Stone Field Sculpture, acesse thewadsworth.org/sculpture-in-the-city/.

Na land art - arte da terra, na tradução livre - inaugura-se uma nova relação com o ambiente natural. Portanto, a natureza, antes representada por sua expressão plástica, passa a ser lugar aonde a arte se enraíza.


E aí, artistas passam a fazer intervenções em desertos, lagos, cânions, planícies e planaltos:

Na obra acima (Double Negative [Duplo Negativo] (1969), de Michael Heizer), o artista abriu grandes fendas no topo de duas mesetas do deserto de Nevada, nos EUA.

Spiral Jetty [Pier ou Cais Espiral] (1971), de Robert Smithson, no Great Salt Lake, em Utah, EUA.

A Spiral Jetty, de Robert Smithson, foi construída em 1970. Na época, estava parcialmente submersa pelo Grande Lago Salgado. Hoje, a land art ocupa um leito de lago seco, e é um ponto de referência de quanto o maior lago salino do Hemisfério Ocidental recuou nas últimas quatro décadas.


“Será que os pesquisadores da Universidade Estadual de Utah podem encontrar maneiras de reverter o recuo constante do lago antes que seja tarde demais?,” a Utah State University lança a pergunta em seu canal do YouTube.


Um campo de trigo em Wall Street

Uma das pioneiras do movimento de arte ambiental, Agnes Dentes, com o apoio do Fundo de Arte Pública, plantou um campo de trigo em dois acres de terreno (local que servia como depósito de lixo) próximo à Wall Street e do World Trade Center, em Manhattan, NY.


O “confronto” (nome do subtítulo da obra) se dá na existência de uma plantação em meio ao caos da cidade, gerando reflexões sobre nosso modo de vida e nossa relação com o meio ambiente.

Nas palavras da autora, “o campo de trigo era um símbolo, um conceito universal; representava comida, energia, comércio mundial e economia. Referia-se a má gestão, desperdício, fome no mundo e preocupações ecológicas. Isso chamou a atenção para nossas prioridades equivocadas”.


Eliasson e a natureza perceptiva do seu trabalho


Olafur Eliasson é um artista dinamarquês-islandês conhecido por esculturas e arte de instalação em larga escala que emprega materiais elementares como luz, água e temperatura do ar para aprimorar a experiência do espectador.

No vídeo abaixo, Eliasson conta sobre “Rio Verde” e conceitua a obra “como uma ideia ativista, e não como parte de uma exposição; tem a ver com sobre mostrar às pessoas, enquanto elas caminham na cidade, que o espaço tem dimensões. Que o espaço tem tempo”.

Assista ao vídeo do artista aqui: https://youtu.be/WCGuG0uT6ks

A poética política de Néle Azevedo:

A artista plástica mineira Néle Azevedo trabalha com intervenções no espaço urbano em um fazer político-poético.


Em 2001 ela iniciou o projeto “Monumento Mínimo”, também conhecido como “Melting Men”, apresentado em diversas metrópoles contemporâneas.

São inúmeras esculturas em gelo, com cerca de 20 cm de altura, colocadas em espaços públicos. Na obra, Néle traz discussões políticas, ecológicas e sociais, representadas pela escolha do próprio material, o gelo.


O projeto discute o registro de memória, escala e temporalidade, a partir do momento em que mobilidade e fugacidade tomam conta do espaço público e do monumento da cidade. 


“Como alternativa à solidez da pedra, oferece a fluidez do gelo, numa clara troca de estabilidade por movimento, de peso por leveza. Em vez de aprisionar a obra em locais fixos, empreende uma perambulação por espaços públicos de diversas cidades, estados e países. No lugar da homenagem ao herói, ou à autoridade, promove a celebração do homem comum,” disse a artista sobre a obra. 


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